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21.11.17

Son los ríos


Somos el tiempo. Somos la famosa
parábola de Heráclito el Oscuro.
Somos el agua, no el diamante duro,
la que se pierde, no la que reposa.
Somos el río y somos aquel griego
que se mira en el río. Su reflejo

cambia en el agua del cambiante espejo,
en el cristal que cambia como el fuego.
Somos el vano río prefijado,
rumbo a su mar. La sombra lo ha cercado.

Todo nos dijo adiós, todo se aleja.
La memoria no acuña su moneda.
Y sin embargo hay algo que se queda
y sin embargo hay algo que se queja.


São os rios
Somos o tempo. Somos a famosa
parábola de Heraclito o Obscuro.
Somos a água e não o diamante duro,
a que se perde, não a que repousa.
Somos o rio e somos aquele grego
que se olha no rio. A sua visagem
muda na água da mutável imagem,
no vidro que muda como o fogo.
Somos o vão rio determinado,
rumo ao seu mar, pela sombra cercado.
Tudo nos diz adeus, tudo nos deixa.
A memória não cunha moeda.
E contudo há algo que se queda
e contudo há algo que se queixa.
Jorge Luis Borges - Os Conjurados
ed. Difel 1985



18.7.13

Jorge Luis Borges, el proceso creador



“El propósito que lo guiaba no era imposible, aunque sí sobrenatural. Quería soñar un hombre: quería soñarlo con integridad minuciosa e imponerlo a la realidad. Ese proyecto mágico había agotado el espacio entero de su alma; si alguien le hubiera preguntado su propio nombre o cualquier rasgo de su vida anterior, no habría acertado a responder.”

(…) “Cada noche, lo percibía con mayor evidencia. No lo tocaba: se limitaba a atestiguarlo, a observarlo, tal vez a corregirlo con la mirada. Lo percibía, lo vivía, desde muchas distancias y muchos ángulos.”

Fragmentos de Ruinas Circulares del escritor Jorge Luis Borges

photo: Richard Avedon, Buenos Aires, 1975

2 desenhos


Jorge Luís Borges também desenhava
reprodução de duas páginas dos cadernos do escritor.
por: Granta Portugal

2.8.12

La casa de Asterión



E a rainha deu à luz um filho que se chamou Astérion.


Sei que me acusam de soberba, e talvez de misantropia, talvez de loucura. Tais acusações (que castigarei no devido tempo) são irrisórias. É verdade que não saio de casa, mas também é verdade que as suas portas (cujo número é infinito*) estão abertas dia e noite aos homens e também aos animais. Que entre quem quiser. Não encontrará aqui pompas femininas, nem o bizarro aparato dos palácios, mas sim a quietude e a solidão. Por isso mesmo, encontrará uma casa como não há outra na face da terra. (Mentem os que declaram existir uma parecida no Egipto.) Até os meus detractores admitem que não há um só móvel na casa. Outra afirmação ridícula é que eu, Astérion, seja um prisioneiro. Valerá a pena repetir que não há uma só porta fechada, acrescentar que não existe uma só fechadura? Além disso, num entardecer, pisei a rua; se voltei antes da noite, foi pelo temor que me infundiram os rostos da plebe, rostos descoloridos e iguais, como a mão aberta. Já se tinha posto o sol, mas o desvalido pranto de um menino e as rudes preces do povo disseram que me haviam reconhecido. O povo orava, fugia, prosternava-se; alguns encarapitavam-se no estilóbato do Templo das Tochas, outros juntavam pedras. Um deles, creio, ocultou-se no mar. Não em vão que uma rainha foi minha mãe; não posso confundir-me com o vulgo, ainda que o queira a minha modéstia.

O facto é que sou único. Não me interessa o que um homem possa transmitir a outros homens; como o filósofo, penso que nada é comunicável pela arte da escrita. As enfadonhas e triviais minúcias não encontram espaço no meu espírito, que está capacitado para o grande; jamais retive a diferença entre uma letra e outra. Certa impaciência generosa não consentiu que eu aprendesse a ler. Às vezes deploro-o, porque as noites e os dias são longos.

Claro que não me faltam distracções. Tal como o carneiro que vai investir, corro pelas galerias de pedra até cair no chão, atordoado. Oculto-me à sombra de uma cisterna ou na curva de um corredor e divirto-me como se me procurassem. Há terraços donde me deixo cair, até me ensanguentar. A qualquer hora posso fingir que estou a dormir, com os olhos fechados e a respiração contida. (Às vezes durmo realmente, às vezes já é outra a cor do dia quando abro os olhos.) Mas, de todas as brincadeiras, a que prefiro é a do outro Astérion. Finjo que ele vem visitar-me e que eu lhe mostro a casa. Com grandes reverências, digo-lhe: "Agora voltamos à encruzilhada anterior" ou "Agora desembocamos noutro pátio" ou "Bem dizia eu que te agradaria o pequeno canal" ou "Agora verás uma cisterna que se encheu de areia" ou " já vais ver como o cave se bifurca". As vezes engano-me e rimo-nos os dois, amavelmente.

Não só imaginei esses jogos; tenho também meditado sobre a casa. Todas as partes da casa existem muitas vezes, qualquer lugar é outro lugar. Não há uma cisterna, um pátio, um bebedouro, um portal; são catorze [são infinitos] os portais, bebedouros, pátios, cisternas. A casa é do tamanho do mundo; ou melhor, é o mundo. Todavia, à força de andar por pátios com uma cisterna e com poeirentas galerias de pedra cinzenta, alcancei a rua e vi o templo das Tochas e o mar. Não me apercebi disso até que uma visão nocturna me revelou que também são catorze [são infinitos] os mares e os templos. Tudo existe muitas vezes, catorze vezes, mas duas coisas há no mundo que parecem existir uma única vez: em cima, o intrincado sol; em baixo, Astérion. Talvez eu tenha criado as estrelas e o sol e a enorme casa, mas já não me lembro.

Cada nove anos, entram na casa nove homens para que eu os liberte de todo o mal. Ouço os seus passos ou sua voz no fundo das galerias de pedra e corro alegremente para recebê-los. A cerimónia dura poucos minutos. Um após outro, caem sem que eu ensanguente as mãos. Onde caíram, ficam, e os cadáveres ajudam a distinguir uma galeria das outras. Ignoro quem sejam, mas sei que um deles, na hora da morte, profetizou que um dia chegaria o meu redentor. Desde então a solidão não me magoa, porque sei que o meu redentor vive e por fim se levantará do pó. Se o meu ouvido alcançassem todos os rumores do mundo, eu perceberia os seus passos. Oxalá me leve para um lugar com menos galerias e menos portas. Como será o meu redentor? – pergunto-me. Será um touro ou um homem? Será talvez um touro com cara de homem? Ou será como eu?
O sol da manhã brilhou na espada de bronze. Já não havia qualquer vestígio de sangue.
– Acreditarás, Ariadna? – disse Teseu. – O minotauro mal se defendeu.


A Marte Mosquera Eastman.

Jorge Luis Borges - O Aleph 1949


* O original diz catorze, mas sobram motivos para inferir que, na boca de Asterión, esse adjectivo numeral vale por infinitos.


 

23.7.12

O fio da fábula


El hilo de la fábula

El hilo que la mano de Ariadne dejó en la mano de Teseo (en la otra estaba la espada) para que éste se ahondara en el laberinto y descubriera el centro, el hombre con cabeza de toro o, como quiere Dante, el toro con cabeza de hombre, y le diera muerte y pudiera, ya ejecutada la proeza, destejer las redes de piedra y volver a ella, a su amor.
Las cosas ocurrieron así. Teseo no podía saber que del otro lado del laberinto estaba el otro laberinto, el de tiempo, y que en algún lugar prefijado estaba Medea.
El hilo se ha perdido; el laberinto se ha perdido también. Ahora ni siquiera sabemos si nos rodea un laberinto, un secreto cosmos, o un caos azaroso. Nuestro hermoso deber es imaginar que hay un laberinto y un hilo. Nunca daremos con el hilo; acaso lo encontramos y lo perdemos en un acto de fe, en una cadencia, en el sueño, en las palabras que se llaman filosofía o en la mera y sencilla felicidad.

Jorge Luis Borges, Cnossos, 1984
imagem: Theseus and the Minotaur in the Labyrinth By Sir Edward Burne-Jones 1861

borges e a nossa cegueira

Jorge Luis Borges 
by Diane Arbus in Central Park 1969

14.5.12

Não és os Outros



Não há-de te salvar o que deixaram
Escrito aqueles que o teu medo implora;
Não és os outros e encontras-te agora
No meio do labirinto que tramaram
Teus passos.  Não te salva a agonia
De Jesus ou de Sócrates ou o forte
Siddharta de ouro que aceitou a morte
Naquele jardim, ao declinar o dia.
Também é pó cada palavra escrita
Por tua mão ou o verbo pronunciado
Pela boca. Não há pena no Fado
E a noite de Deus é infinita.
Tua matéria é o tempo, o incessante
Tempo.  E és cada solitário instante.

Jorge Luis Borges
- "A Moeda de Ferro"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral
A foto é de Paola Agosti

9.12.11

Tú mismo tienes que salvarte


Otro fragmento apócrifo

Uno de los discípulos del maestro quería hablar a solas con él, pero no se atrevía. El maestro le dijo:
— Dime qué pesadumbre te oprime.
El discípulo replicó:
— Me falta valor.
El maestro dijo:
— Yo te doy el valor.
La historia es muy antigua, pero una tradición, que bien puede ser no apócrifa, ha conservado las palabras que esos hombres dijeron, en los linderos del desierto y del alba.
Dijo el discípulo:
— He cometido hace tres años un gran pecado. No lo saben los otros pero yo lo sé, y no puedo mirar sin horror mi mano derecha.
Dijo el maestro:
— Todos los hombres han pecado. No es de hombres no pecar. El que mirare a un hombre con odio ya le ha dado muerte en su corazón.
Dijo el discípulo:
— Hace tres años, en Samaria, yo maté a un hombre.
El maestro guardó silencio, pero su rostro se demudó y el discípulo pudo temer su ira. Dijo al fin:
— Hace diecinueve años, en Samaria, yo engendré a un hombre. Ya te has arrepentido de lo que hiciste.
Dijo el discípulo:
— Así es. Mis noches son de plegaria y de llanto. Quiero que tú me des tu perdón.
Dijo el maestro:
— Nadie puede perdonar, ni siquiera el Señor. Si a un hombre lo condenaran por sus actos, no hay quien no fuera merecedor del infierno y del cielo. ¿Estás seguro de ser aún aquel hombre que dio muerte a su hermano?
Dijo el discípulo:
— Ya no entiendo la ira que me hizo desnudar el acero.
Dijo el maestro:
— Suelo hablar en parábolas para que la verdad se grabe en las almas, pero hablaré contigo como habla el padre con su hijo. Yo no soy aquel hombre que pecó; tú no eres aquel asesino y no hay razón alguna para que sigas siendo su esclavo. Te incumben los deberes de todo hombre: ser justo y ser feliz. Tú mismo tienes que salvarte. Si algo ha quedado de tu culpa yo cargaré con ella.
Lo demás de aquel diálogo se ha perdido.

Jorge Luis Borges - Los conjurados


8.12.11

a Biblioteca


Tenho a suspeita de que a espécie humana — a única — está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptivel, secreta .

Jorge Luís Borges - A Bibliotéca de Babel


10.11.11

As Cidades Invisíveis


Italo Calvino e Jorge Luis Borges, c. 1970

Marco Polo descreve uma ponte, pedra a pedra.
— Mas qual é a pedra que sustém a ponte ? - pergunta Kublai Kan.
— A ponte não é sustida por esta ou por aquela pedra - responde Marco, - mas sim pela linha do arco que elas formam.
Kublai Kan permanece silencioso, reflectindo. Depois acrescenta:
— Porque me falas das pedras? É só o arco que me importa.
Polo responde:
— Sem pedras não há arco.

Italo Calvino - As Cidades Invisíveis


9.11.11

Borges : 25 años, 16 conselhos e o esboço de um sorriso


Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo
(Buenos Aires, Argentina, 24 Aug 1899 – Geneva, Switzerland, 14 Jun 1986) (86 anos)
fotografia de 1985, um dos últimos retratos e o esboço de um sorriso ou um sorriso mesmo


Há 25 anos, em 1986 falecia em Genébra com 86 anos, ia fazer 87, um dos maiores escritores do séc. 20. O Nobel ignorou-o, Borges não ignorou ninguém e eu lembro-me dele...

... aqui ficam 16 CONSEJOS literários

En literatura es preciso evitar:

1. Las interpretaciones demasiado inconformistas de obras o de personajes famosos. Por ejemplo, describir la misoginia de Don Juan, etc.
2. Las parejas de personajes groseramente disímiles o contradictorios, como por ejemplo Don Quijote y Sancho Panza, Sherlock Holmes y Watson.
3. La costumbre de caracterizar a los personajes por sus manías, como hace, por ejemplo, Dickens.
4. En el desarrollo de la trama, el recurso a juegos extravagantes con el tiempo o con
el espacio, como hacen Faulkner, Borges y Bioy Casares.
5. En las poesías, situaciones o personajes con los que pueda identificarse el lector.
6. Los personajes susceptibles de convertirse en mitos.
7. Las frases, la escenas intencionadamente ligadas a determinado lugar o a determinada época; o sea, el ambiente local.
8. La enumeración caótica.
9. Las metáforas en general, y en particular las metáforas visuales. Más concretamente aún, las metáforas agrícolas, navales o bancarias. Ejemplo absolutamente desaconsejable: Proust.
10. El antropomorfismo.
11. La confección de novelas cuya trama argumental recuerde la de otro libro. Por ejemplo, el Ulysses de Joyce y la Odisea de Homero.
12. Escribir libros que parezcan menús, álbumes, itinerarios o conciertos.
13. Todo aquello que pueda ser ilustrado. Todo lo que pueda sugerir la idea de ser convertido en una película.
14. En los ensayos críticos, toda referencia histórica o biográfica. Evitar siempre las alusiones a la personalidad o a la vida privada de los autores estudiados. Sobre todo, evitar el psicoanálisis.
15. Las escenas domésticas en las novelas policíacas; las escenas dramáticas en los diálogos filosóficos. Y, en fin:
16. Evitar la vanidad, la modestia, la pederastia, la ausencia de pederastia, el suicidio.

* Adolfo Bioy Casares, num número especial da revista francesa L’Herne, conta que, - hace treinta años, Borges, él mismo y Silvina Ocampo proyectaron escribir a seis manos un relato ambientando en Francia y cuyo protagonista hubiera sido un joven escritor de provincias. El relato nunca fue escrito, pero de aquel esbozo ha quedado algo que pertenece al propio Borges: una irónica lista de dieciséis consejos acerca de lo que un escritor no debe poner nunca en sus libros.

6.10.11

"Himno al mar"


Oh mar! oh mito! oh largo lecho!


Y sé por qué te amo. Sé que somos muy viejos.
Que ambos nos conocemos desde siglos.
Sé que en tus aguas venerandas y rientes ardió la aurora de la Vida.
(En la ceniza de una tarde terciaria vibré por primera vez en tu seno).
Oh proteico, yo he salido de ti.
¡Ambos encadenados y nómadas;
Ambos con un sed intensa de estrellas;
Ambos con esperanzas y desengaños;
Ambos, aire, luz, fuerza, obscuridades;
Ambos con nuestro vasto deseo y ambos con nuestra grande miseria

Jorge Luis Borges

Su primera poesía, "Himno al mar", escrita en el estilo de Walt Whitman, fue publicada en la revista Grecia el 31 de diciembre de 1919.

Fotografia de Matias Lavva
.

5.10.11

Um homem humilde fala sobre a sua modesta cegueira




Conferência proferida a 3 de agosto de 1977 no Teatro Coliseu de Buenos Aires.

Esta é a 1ª de 6 partes, o resto está no youtube

(os premiados com o nobel deveriam de seguida candidatar-se ao premio BORGES
— é só uma ideia...!!!)

9.6.11

The Secret Books

Inscripción

Escribir un poema es ensayar una magia menor. El instrumento de esa magia, el lenguaje, es asaz misterioso. Nada sabemos de su origen. Sólo sabemos que se ramifica en idiomas y que cada uno de ellos consta de un indefinido y cambiante vocabulario y de una cifra indefinida de posibilidades sintácticas. Con esos inasibles elementos he formado este libro. (En el poema, la cadencia y el ambiente de una palabra pueden pesar más que el sentido.)
De usted es este libro, María Kodama. ¿Será preciso que le diga que esta inscripción comprende los crepúsculos, los ciervos de Nara, la noche que está sola y las populosas mañanas, las islas compartidas, los mares, los desiertos y los jardines, lo que pierde el olvido y lo que la memoria transforma, la alta voz del muecín, la muerte de Hawkwood, los libros y las láminas?
Sólo podemos dar lo que ya hemos dado. Sólo podemos dar lo que ya es del otro. En este libro están las cosas que siempre fueron suyas. ¡Qué misterio es una dedicatoria, una entrega de símbolos!

Prólogo

A nadie puede maravillar que el primero de los elementos, el fuego, no abunde en el libro de un hombre de ochenta y tantos años. Una reina, en la hora de su muerte, dice que es fuego y aire; yo suelo sentir que soy tierra, cansada tierra. Sigo, sin embargo, escribiendo. ¿Qué otra suerte me queda, qué otra hermosa suerte me queda? La dicha de escribir no se mide por las virtudes o flaquezas de la escritura. Toda obra humana es deleznable, afirma Carlyle, pero su ejecución no lo es.
No profeso ningúna estética. Cada obra confía a su escritor la forma que busca: el verso, la prosa, el estilo barroco o el llano. Las teorías pueden ser admirables estímulos (recordemos a Whitman) pero asimismo pueden engndrar monstruos o meras piezas de museo. Recordemos el monólogo interior de James Joyce o el sumamente incómodo Polifemo.
Al cabo de los años he observado que la belleza, como la felicidad, es frecuente. No pasa un día en que no estemos, un instante, en el paraíso. No hay poeta, por mediocre que sea, que no haya escrito el mejor verso de la literatura, pero también los más desdichados. La belleza no es privilegio de unos cuantos nombres ilustres. Sería muy raro que este libro, que abarca unas cuarenta composiciones, no atesorara una sola línea secreta, digna de acompañarte hasta el fin.
En este libro hay muchos sueños. Aclaro que fueron dones de la noche o, más precisamente, del alba, no ficciones deliberadas. Apenas si me he atrevido a agregar uno que otro rasgo circunstancial, de los que exige nuestro tiempo, a partir de Defoe.
Dicto este prólogo en una de mis patrias, Ginebra.

Jorge Luis Borges
9 de enero de 1985

Los conjurados
(download)

6.6.11

Los conjurados

Jorge Luis Borges, standing in a hotel photo Pepe Fernandez.jpg"En el centro de Europa están conspirando.
El hecho data de 1291.
Se trata de hombres de diversas estirpes, que profesan diversas religiones y que hablan en diversos idiomas.
Han tomado la extraña resolución de ser razonables.
Han resuelto olvidar sus diferencias y aventurar sus afinidades.
Fueron soldados de la Confederación y después mercenarios, porque eran pobres y tenían el hábito de la guerra y no ignoraban que todas las empresas del hombre son igualmente vanas.
Fueron Winkelried, que se clava en el pecho las lanzas enemigas para que sus camaradas avancen.
Son un cirujano, un pastor o un procurador, pero también son Paracelso y Amiel y Jung y Paul Klee.
En el centro de Europa, en las tierras altas de Europa, crece una torre de razón y de firme fe.
Los cantones ahora son veintidós. El de Ginebra, el último, es una de mis patrias.
Mañana serán todo el planeta.
Acaso lo que digo no es verdadero; ojalá sea profético".
§
"No coração da Europa conspira-se.
O facto data de 1291.
São homens de difstintas estirpes, que professam distintas religiões e falam distintos idiomas.
Tomaram a estranha resolução de ser razoável.
Decidiram esquecer diferenças e acentuar afinidades.
Foram soldados da Confederação e depois mercenários, porque eram pobres e tinha o hábito da guerra e não ignoravam que todas as empresas são igualmente vãs.
Foram Winkelried, que crava no peito no peito as lanças inimigas para que os seus companheiros avancem.
São um cirurgião, um pastor ou um procurador, mas são também Paracelso e Amiel e Jung e Paul Klee.
No centro da Europa, nas terras altas da Europa, cresce uma torre da razão e de firme fé.
Os cantões agora são vinte e dois. O de Genebra, o último, é uma das minhas pátrias.
Amanhã será todo o planeta.
Talvez o que digo não seja verdadeiro, oxalá seja profético ".

Jorge Luis Borges - Los conjurados 1985


Fotografia do escritor no Hôtel des Beaux Arts, em Paris, o mesmo onde morreu Oscar Wilde (foi depois chamado Hôtel d'Alsace) e onde Jorge Luis Borges queria morrer.

(Photo of the writer Jorge Luis Borges in the Hôtel des Beaux Arts in Paris, where Oscar Wilde died (It was then called the Hôtel d'Alsace) and where Borges therefore wanted to die. This beautiful photo was reproduced by the Gallimard editions on the cover of the acclaimed edition of the Pléiade.)


Photo: Pepe Fernandez, 1969 Paris.

22.5.11

Posesión del ayer


"Sé que he perdido tantas cosas que no podría contarlas y que esas perdiciones, ahora, son lo que es mío. Sé que he perdido el amarillo y el negro y pienso en esos imposibles colores como no piensan los que ven. Mi padre ha muerto y está siempre a mi lado. Cuando quiero escandir versos de Swinburne, lo hago, me dicen, con su voz. Sólo el que ha muerto es nuestro, sólo es nuestro lo que perdimos. Illón fue, pero Illón perdura en el haxámetro que la plañe. Israel fue cuando era una antigua nostalgia. Todo poema, con el tiempo, es una elegía. Nuestras son las mujeres que nos dejaron, ya no sujetos a la víspera, que es zozobra, y a las alarmas y terrores de la esperanza. No hay otros paraísos que los paraísos perdidos."

A posse do ontem


"Sei que perdi tantas coisas que não poderia contá-las e que essas perdas são agora o que é meu. Sei que perdi o amarelo e o preto e penso nessas impossiveis cores. Como não pensam os que vêem. O meu pai morreu e está sempre a meu lado. Quando quero escandir versos de Swinburne, faço-o, dizem-me, com a voz dele. Só o que morreu é nosso, só é nosso o que perdemos. Ilíon passou, mas Ilíon perdura no hexágono que a chora. Israel aconteceu quando era uma antiga nostagia. Todo o poema com o tempo, é uma elegia. Nossas são as mulheres que nos deixaram, já não sujeitos à vespera, que é angústia e aos alarmes e terrores da esperança. Não há outros paraísos que não sejam paraísos perdidos."

Jorge Luis Borges - Los Conjurados ed. Difel 1985

5.4.11

El sur


Japan, 1983 Borges in Izumo:
"The visages of divinities are undecipherable kanji."

EL SUR

Desde uno de tus patios haber mirado
las antiguas estrellas,
desde el banco de
la sombra haber mirado
esas luces dispersas
que mi ignorancia no ha aprendido a nombrar
ni a ordenar en contelaciones,
haber sentido el círculo del agua
en el secreto aljibe,
el olor del jazmín y la madreselva,
el silencio del pájaro dormido,
el arco del zanguán, la humedad
–esas cosas, acaso, son el poema.

Jorge Luis Borges

1985 One of the last portraits of the Maestro

11.3.11

BORGES Y YO

Borges by Gisèle Freund (1971)
Paris, Musée National d'Art Moderne - Centre Georges Pompidou


BORGES Y YO

Al otro, a Borges, es a quien le ocurren las cosas. Yo camino por Buenos Aires y me demoro, acaso ya mecánicamente, para mirar el arco de un zaguán y la puerta cancel; de Borges tengo noticias por el correo y veo su nombre en una terna de profesores o en un diccionario biográfico. Me gustan los relojes de arena, los mapas, la tipografía del siglo XVIII, las etimologías, el sabor del café y la prosa de Stevenson; el otro comparte esas preferencias, pero de un modo vanidoso que las convierte en atributos de un actor. Sería exagerado afirmar que nuestra relación es hostil; yo vivo, yo me dejo vivir, para que Borges pueda tramar su literatura y esa literatura me justifica. Nada me cuesta confesar que ha logrado ciertas páginas válidas, pero esas páginas no me pueden salvar, quizá porque lo bueno ya no es de nadie, ni siquiera del otro, sino del lenguaje o la tradición. Por lo demás, yo estoy destinado a perderme, definitivamente, y sólo algún instante de mí podrá sobrevivir en el otro. Poco a poco voy cediéndolo todo, aunque me consta su perversa costumbre de falsear y magnificar. Spinoza entendió que todas las cosas quieren perseverar en su ser; la piedra eternamente quiere ser piedra y el tigre un tigre. Yo he de quedar en Borges, no en mí (si es que alguien soy), pero me reconozco menos en sus libros que en muchos otros o que en el laborioso rasgueo de una guitarra. Hace años yo traté de librarme de él y pasé de las mitologías del arrabal a los juegos con el tiempo y con lo infinito, pero esos juegos son de Borges ahora y tendré que idear otras cosas. Así mi vida es una fuga y todo lo pierdo y todo es del olvido, o del otro.

No sé cuál de los dos escribe esta página.

***
Jorge Luis Borges
(Argentine, August 24, 1899 – June 14, 1986)

The Garden of Forking Path


***

6.12.10

Argumentum Ornithologicum

Fecho os olhos e vejo um bando de pássaros. A visão dura um segundo ou talvez menos; não sei quantos pássaros vi. Era definido ou indefinido o seu número? O problema envolve o da existência de Deus. Se Deus existe, o número é definido, porque Deus sabe quantos pássaros vi. Se Deus não existe, o número é indefinido, porque ninguém pode fazer a conta. Nesse caso, vi menos de dez pássaros (digamos) e mais de um, mas não vi nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três ou dois pássaros. Vi um número entre dez e um, que não é nove, oito, sete, seis, cinco,etc. Esse número inteiro é inconcebivel; ergo, Deus existe.

Jorge Luis Borges

21.11.10

La cierva blanca

J. L. Borges in Central Park, N.Y.C., 1969
Photography by Diane Arbus

LA CIERVA BLANCA

¿De qué agreste balada de la verde Inglaterra,
de qué lámina persa, de qué región arcana
de las noches y días que nuestro ayer encierra,
vino la cierva blanca que soñé esta mañana?

Duraría un segundo. La vi cruzar el prado
y perderse en el oro de una tarde ilusoria,
leve criatura hecha de un poco de memoria
y de un poco de olvido, cierva de un solo lado.

Los númenes que rigen este curioso mundo
me dejaron soñarte pero no ser tu dueño;
tal vez en un recodo del porvenir profundo

te encontraré de nuevo, cierva blanca de un sueño.
Yo también soy un sueño fugitivo que dura
unos días más que el sueño del prado y la blancura.

Jorge Luis Borges