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27.8.12

regresso ...e continuo a navegar


Não conhece a arte de navegar
quem nunca navegou no ventre de uma mulher

remou nela, naufragou
e sobreviveu numa das suas praias.


Cristina Peri Rossi

13.5.11

«É precisamente porque não me lembras ninguém que sempre quis encontrar-te em qualquer lugar»

«...é difícil desapegarmo-nos de uma história. A Balada do Mar Salgado é do tipo residual, deixa duas ou três marcas que lentamente, ao sabor do tempo, se fundem com a pele. é bonito isto, rais'parta!» (littleblackspot)

"É precisamente por não te pareceres com ninguém, que gostaria de te encontrar sempre... em toda a parte..."
Hugo Pratt - A Balada do Mar Salgado.

11.4.11

Religião em Pratt




— “Qual poderia ser a sua religião?
— A procura. Eu procuro a verdade, mas sei que nunca a atingirei completamente. Se um dia chegasse à conclusão de que a alcançara, deveria achar que não era possível, que algo me havia escapado e que tinha de prosseguir.
Qualquer pessoa que acredite deter a verdade é potencialmente perigosa – e essa é a razão principal por que desconfio de todos os que professam uma religião. No que a mim diz respeito, creio nunca ter atingido a verdade, nem sequer a minha verdade. A verdade é inatingível, o mais que podemos é ter a esperança de nos aproximarmos dela. É este o meu próprio dogma. Se tenho uma religião, é a da procura, da procura que tende para a Verdade.”


Hugo Pratt, O Desejo de Ser Inútil. Memórias e Reflexões (Entrevistas com Dominique Petitfaux). Precedido de uma Abertura Irlandesa,
Lisboa, Relógio d’Água, 1995, p. 251

1.4.11

Cultura(s) em Pratt


— “Cultura ou culturas”, singular ou plural, pois se a sua cultura é singular, é precisamente porque ela é plural (…) ao passo que a maior parte das pessoas só possuem um certo tipo de cultura – cultura universitária, de massas, esotérica, da sua classe social – a sua cultura é a síntese de todas as essas culturas que normalmente se excluem.

— É certo que abordei os tipos de cultura que referiu, e outros mais, como a cultura militar. Essa possibilidade de passar de uma cultura a outra parece-me mais frequente – e talvez mais fácil – nas pessoas que, como eu, são em parte autodidactas. O ideal parece-me consistir em ter professores que nos ensinem as bases, e depois fazermos nós próprios as pesquisas, em total independência relativamente às ideias dominantes nos meios oficiais. Na minha concepção, alguém que seja culto é necessariamente eclético: se apenas conhece o universo cultural a que pertence Kingsor ou aquele a que pertence King Kong, não é verdadeiramente culto.” [201]

Hugo Pratt, O Desejo de Ser Inútil. Memórias e Reflexões (Entrevistas com Dominique Petitfaux). Precedido de uma Abertura Irlandesa, Lisboa, Relógio d’Água, 1995

29.3.11

Falar de mulheres

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— É verdade que sempre tive amigas entre as prostitutas e esse quadradinho com Esmeralda é uma espécie de homenagem às putas. Penso que teria gostado de Thaís, a amante de Alexandre Magno.” [257]
Pratt2.jpg“Os contactos físicos entre homens nunca me atraíram, mesmo apresentados como expressão de uma cumplicidade viril …
aí então, acho uma parvoíce machista. (…)
Eu considero a homossexualidade uma variante particular da sexualidade, atestada desde a Antiguidade, e evidentemente o lugar ocupado pela homossexualidade nos mitos e nos heróis da Grécia antiga interessa-me. Penso, por exemplo, na amizade intensa entre Aquiles e Pátroclo, que, dada a mentalidade da época, acompanhava provavelmente uma relação homossexual. E como Aquiles tinha uma escrava favorita, Briseida, podemos imaginar, debaixo da tenda, umas situações interessantes … Pergunto-me também o que um homem invulnerável como Aquiles poderia sentir sexualmente. Talvez Pátroclo e Briseida lhe fizessem umas coisas no calcanhar! Deviam formar um belo trio. Agamémnon acabou por roubar Briseida a Aquiles, mas devolveu-lha depois da morte de Pátroclo.”
[254]

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Hugo Pratt, O Desejo de Ser Inútil. Memórias e Reflexões (Entrevistas com Dominique Petitfaux). Precedido de uma Abertura Irlandesa.
Lisboa, Relógio d’Água, 1995