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5.12.11

Lapidar



“Morreu Fernando Pessoa. ...Mal acabei de ler a notícia no jornal, fechei a porta do consultório e meti-me pelos montes a cabo. Fui chorar com os pinheiros e com as fragas a morte do nosso maior poeta de hoje, que Portugal viu passar num caixão para a eternidade sem ao menos perguntar quem era.”

Miguel Torga. Dezembro de 1935 - Diario vol. 1 pág. 35, 7ªed.


28.10.10

Há muito tempo já que não escrevo um poema

Há muito tempo já que não escrevo um poema 

De amor. 

E é o que eu sei fazer com mais delicadeza! 

A nossa natureza 

Lusitana 

Tem essa humana
Graça 

Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental 

E baça

Bebedeira. 


Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado, 

Ou que a antiga paixão 

Me mantenha calado 

O coração 

Num íntimo pudor, 

— Há muito tempo já que não escrevo um poema 

De amor. 



Miguel Torga, in 'Diário V'