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18.9.13

Elogio da Ginja


Ginginha sem Rival e também anis, amêndoa amarga, salsaparilha, capilé e o famoso "Eduardino", em memória de um palhaço do coliseu. Fica nas Portas de Santo Antão nº. 7.



Elogio da Ginja
"- Com elas ou sem elas!"



25.4.12

Bonjour Lisboa !

Street scene in Lisbon - Portugal , 1940’s
Photograph by W. Robert Moore, National Geographic





“Se a tua dor te aflige, faz dela um poema.”
( Eça de Queiroz )


José Maria de Eça de Queirós,
nasceu na Póvoa de Varzim no dia 25 de novembro de 1845 e morreu em Paris no dia 16 de agosto de 1900. 

Já lá vão mais de 100 anos, é quase um homem invisível....

5.3.12

De ombro na ombreira


De ombro na ombreira
no outro lado outro
ombro na ombreira

Entre ombros nas ombreiras
nenhum assombro:
ombros ombro a ombro
param ombro a ombreira

Quando tudo escombro
ainda todos seremos
ombro na ombreira.

Alexandre O'Neill


13.12.11

Utopia

Lisboa
Fotografia de Gonçalo Franco


"A utopia com que sempre sonhei pode efectivamente concretizar-se."
José Afonso no espectáculo do Coliseu, antes de cantar "Utopia"
.
Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo mas irmão

Capital da alegria
Braço que dormes nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu
desafio
Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso
a palavra forte e justa

Homem para quem o nada disto
custa

Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio
este rumo
esta gaivota

Que outro rumo deverei seguir
na minha rota?

José Afonso : "Como se fora seu filho", de 1983
"textos e canções", Assírio e Alvim, 1983

15.10.11

O homem da cidade


Um homem na cidade

Agarro a madrugada
como se fosse uma criança,
uma roseira entrelaçada,
uma videira de esperança.
Tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem, por força da vontade,
de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua desta lua
que no meu Tejo acendo cedo,
vou por Lisboa, maré nua
que desagua no Rossio.
Eu sou o homem da cidade
que manhã cedo acorda e canta,
e, por amar a liberdade,
com a cidade se levanta.
Vou pela estrada deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresce na vela da canoa.
Sou a gaivota que derrota
tudo o mau tempo no mar alto.
Eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.
E quando agarro a madrugada,
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada,
um malmequer azul na cor,
o malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém,
o malmequer desta cidade
que me quer bem, que me quer bem.
Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também,
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem,
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis, que me quer bem.

Música: José Luís Tinoco
Letra: Ary dos Santos
Canta: Carlos do Carmo



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12.10.11

No teu poema



No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,

um corpo que respira,
um céu aberto,
janela debruçada para a vida.



No teu poema 

existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura, 

e aberta, uma varanda para o mundo.



Existe a noite,

o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia

e o cansaço do corpo que adormece em cama fria.



Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.



No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,

a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.

No teu poema
existe um canto chão alentejano,

a rua e o pregão de uma varina

e um barco assoprado a todo o pano.

Existe um rio

o canto em vozes juntas, vozes certas

Canção de uma só letra e um só destino 

a embarcar no cais da nova nau das descobertas



Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,

o risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste,

que vence ou adormece antes da morte



No teu poema

existe a esperança acesa atrás do muro,

existe tudo o mais que ainda escapa

e um verso em branco à espera de futuro.


Versos de José Luís Tinoco e interpretado, de uma forma magnífica por Carlos do Carmo




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23.7.11

Lisbon Revisited

Fernando Pessoa em Flagrante Delitro foto para a namorada Ofélia.jpg
Fernando Pessoa na adega de Abel Pereira da Fonseca, em 1929.
Esta fotografia enviou-a ele a Ophelia Queiroz com a inscrição:

«Fernando Pessoa em flagrante delitro».

Lisbon Revisited
(1923)

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

Álvaro de Campos

22.5.11

O outro elevador de Ponsard


Elevador de São Julião (ou da Biblioteca) — (1987−1915)
Calçada de S. Francisco 1909

Estava ali em Lisboa, no Largo de São Francisco, mas chamava-se Elevador de São Julião. Levantava do chão 25 pessoas de cada vez através de um contrapeso de água. Levantou as últimas em 1915.

Eis o que dele se conta nos arquivos da CML:

«Elevador de São Julião
Localização: Largo de S. Julião/Largo das Belas Artes
Autoria: Raoul Mesnier de Ponsard
Inauguração: 12 de Janeiro de 1897

O elevador do Município, também conhecido como elevador da Biblioteca ou elevador de S. Julião, foi o sétimo elevador a ser construído em Lisboa. A entrada fazia-se pela porta de uma residência particular, o n.º 13 de Largo de S. Julião, e a saída fazia-se igualmente por outra residência particular, pelo terraço do Palácio do Visconde de Coruche, no então Largo da Biblioteca. Funcionou até 1915.
Este elevador ficou ligado à intentona de 28 de Janeiro de 1908, conhecida como Golpe do Elevador da Biblioteca, em que conspiravam carbonários, republicanos e dissidentes progressistas. Foram presos António José de Almeida, Afonso Costa, Álvaro Poppe e mais suspeitos, num total de noventa e três conspiradores.»

Fontes:
SkyscraperCity > European Forums > Fórum Português > Arquitectura e Urbanismo > Portugal em Imagens > Lisboa
- Memórias de Lisboa

(Lisboa de 1850 a 1974)
/ O outro elevador de Ponsard