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21.11.18

Todas as Palavras



Todas as Palavras

As que procurei em vão,
principalmente as que estiveram muito perto,
como uma respiração,
e não reconheci,
ou desistira
e partiram para sempre,
deixando no poema uma espécie de mágoa
como uma marca de água impresente;
as que (lembras-te?) não fui capaz de dizer-te
nem foram capazes de dizer-me;
as que calei por serem muito cedo,
e as que calei por serem muito tarde,
e agora, sem tempo, me ardem;
as que troquei por outras (como poderei
esquecê-las desprendendo-se longamente de mim?);
as que perdi, verbos e
substantivos de que
por um momento foi feito o mundo
e se foram levando o mundo.
E também aquelas que ficaram,
por cansaço, por inércia, por acaso,
e com quem agora, como velhos amantes sem
desejo, desfio memórias,
as minhas últimas palavras.

Manuel António Pina,  Atropelamento e Fuga (Assírio & Alvim, 2001)
photo Yousuf Karsh, Pablo Casals (1954) 

17.9.18

wake up dead man


Einstein said:
The one who follows the crowd will usually get no further than the crowd. The one who walks alone, is likely to find himself in places no one has ever been.



Emancipate yourself from mental slavery,
None but ourselves can free our minds.
Redemption Song - Bob Marley

We've got to fulfill the book.

29.8.18

There’s No Reason To Cry


“Each day in life is training, though failure is possible
I am alive, I am this moment, my future is here and now
For if I cannot endure today, when will I?”
— Soen Ozeki

23.7.18

la berenjena


Hace mil años, dijo el sultán de Persia:
-Qué rica.
Él nunca había probado la berenjena, y la estaba comiendo en rodajas aderezadas con jengibre y hierbas del Nilo.
Entonces el poeta de la corte exaltó a la berenjena, que da placer a la boca y en el lecho hace milagros, porque para las proezas del amor es más poderosa que el polvo de diente de tigre o el cuerno rallado de rinoceronte.
Un par de bocados después, el sultán dijo:
-Qué porquería.
Y entonces el poeta de la corte maldijo a la engañosa berenjena, que castiga la digestión, llena la cabeza de malos pensamientos y empuja a los hombres virtuosos al abismo del delirio y la locura.

-Recién llevaste a la berenjena al Paraíso, y ahora la estás echando al infierno –comentó un insidioso.
Y el poeta, que era un profeta de los medios masivos de comunicación, puso las cosas en su lugar:
-Yo soy cortesano del sultán. No soy cortesano de la berenjena. 


San Juan Crisóstomo decía: "Cuando la primera mujer habló, provocó el pecado original" y San Ambrosio concluía: "Si a la mujer se le permite hablar de nuevo, volverá a traer la ruina al hombre".
La iglesia Católica, les prohíbe la palabra.
Los fundamentalistas musulmanes, les mutilan el sexo y les tapan la cara.
Los judíos muy ortodoxos empiezan el día agradeciendo: "Gracias Señor por no haberme hecho mujer".
 

Saben cocer.
Saben bordar.
Saben sufrir y cocinar.
Hijas obedientes.
Madres abnegadas.
Esposas resignadas.
Durante siglos o milenios ha sido así, aunque de su pasado sabemos poco.
Ecos de voces masculinas. Sombras de otros cuerpos.
Para elogiar a un prócer se dice: "Detrás de todo gran hombre hubo una mujer", reduciendo a la mujer a la triste condición de respaldo de silla.
 

Hoy voy a contarles, a mi modo y manera, algunas historias de mujeres que no siempre coinciden con éste identikit.
Están allí pintadas las paredes, los techos de las cavernas; alces, bisontes, figuras que vienen de eso que llaman Prehistoria; caballos, fieras, hombres, mujeres que no tienen edad. Fueron pintadas, pintados, hace miles y miles de años, pero nacen de nuevo cada vez que alguien las mira.
Y uno se pregunta: ¿Cómo pudieron ellos, nuestros remotos abuelos pintar de tan delicada manera?, ¿Cómo pudieron aquellos brutos que peleaban mano a mano con las fieras más feroces, crear esas figuras tan, tan plenas de gracia, esas mágicas obras volanderas que se escapan de la roca y por los aires vuelan?, ¿Cómo, cómo pudieron ellos?... ¿O eran Ellas?

Eduardo Galeano

Egon Schiele (1910)

26.8.17

Inanna



Fundación de los abrazos

Muchísimo antes de que el Irak fuera tierra arrasada por la cruzada civilizatoria del presidente Bush, allí en Irak, había nacido la escritura. Y allí había sido escrito el primer poema de amor de la historia humana. El poema escrito en lengua sumeria, escrito en el barro, narraba el encuentro entre un pastor y una diosa. La diosa Inanna, amó esa noche como si fuera mortal, y Dumuvi, el pastor, fue inmortal mientras duró esa noche.


Eduardo Galeano y el oficio de narrar

5.6.15

encontros e despedidas



Disse-me Vigo: «Martín, nunca duvidei que você preferia a floresta. Mas também sei que a considera como uma passagem… não como objectivo, como Átila, nem como ficção, como o Domo. Mas o que são as ficções? Em todas as nossas grandes mutações, concretiza-se um sonho. Como historiador, você sabe isto. Não fracassamos pelos nossos sonhos, mas sim por não termos sonhado com intensidade suficiente.»

Ernst Jünger - Eumeswil - ed. Ulisseia



25.5.14

Meditação na Pastelaria

Ruth Orkin, american girl in italy 1951

"Mas uma senhora é uma senhora. / Só vê a malícia quem a tem. / Uma senhora passa / e ladrar é o seu dever ― se tanto for preciso!"
Alexandre O'Neill, Meditação na Pastelaria

19.3.14

o homem que casou com uma sereia


Creio que devia começar a trabalhar, agora que aprendo a ver. Tenho vinte e oito anos, e até aqui aconteceu tanto como nada. Vamos repetir: escrevi um estudo sobre Carpaccio, que é mau; um drama chamado «Matrimónio» que quer provar, por meios equívocos, qualquer coisa falsa; e versos. Ah, mas que significam os versos, quando os escrevemos cedo! Devia-se esperar e acumular sentido e doçura durante toda a vida e se possível durante uma longa vida, e então, só no fim, talvez se pudessem escrever dez versos que fossem bons. Porque os versos não são, como as gentes pensam, sentimentos (esses têm-se cedo bastante), — são experiências. Por amor de um verso têm que se ver muitas cidades, homens e coisas, têm que se conhecer os animais, tem que se sentir como as aves voam e que se saber o gesto com que as flores se abrem pela manhã. É preciso poder tornar a pensar em caminhos em regiões desconhecidas, em encontros inesperados e despedidas que se viram vir de longe, — em dias de infância ainda não esclarecidos, nos pais que tivemos que magoar quando nos traziam uma alegria e nós não a compreendemos (era uma alegria para outro), em doenças de infância que começam de maneira tão estranha com tantas transformações profundas e graves, em dias passados em quartos calmos e recolhidos e em manhãs à beira-mar, no próprio mar, em mares, em noites de viagem que passaram sussurrando alto e voaram com todos os astros, — e ainda não é bastante poder pensar em tudo isto. É preciso ter recordações de muitas noites de amor, das quais nenhuma foi igual à outra, de gritos de mulheres no parto e de parturientes leves, brancas e adormecidas que se fecham. Mas também é preciso ter estado ao pé de moribundos, ter ficado sentado ao pé de mortos no quarto com a janela aberta e os ruídos que vinham por acessos. E também não é ainda bastante ter recordações. É preciso saber esquecê-las quando são muitas, e é preciso ter a grande paciência de esperar que elas regressem. Pois que as recordações mesmas ainda não são o que é preciso. Só quando elas se fazem sangue em nós, olhar e gesto, quando já não têm nome e já se não distinguem de nós mesmos, só então é que pode acontecer que, numa hora muito rara, do meio delas se erga a primeira palavra de um verso e saia delas.

Rainer Maria Rilke - Die Aufzeichnungen des Malte Laurids Brigge
Os cadernos de Malte Laurids Brigge
- 3ª ed. O Oiro do dia, 1983, trad. Paulo Quintela



18.3.14

Je est an autre


" quanto mais nos elevamos,
menores nos parecemos aos
olhos daqueles que não sabem voar". 


nietzsche



" desde a revolução industrial, os homens deixaram de lado a busca pelos objetivos mais dignos como seres humanos, e se inclinaram a obter bens materiais. a perda da dignidade provoca a degeneração espiritual, isto é, a morte do espírito humano. uma sociedade que perde suas aspirações humanísticas se tornará fria, insensível, atormentada pelo dogmatismo e pela ignorância."

daisaku ikeda

22.9.13

Try to remember some details

(born Ludwig Pfueffer, May 3, 1924 – September 22, 2000)



Try to remember some details. Remember the clothing
of the one you love
so that on the day of disaster you'll be able to say: last seen
wearing such-and-such, brown jacket, white hat.
Try to remember some details. For they have no face
and their soul is hidden and their crying
is the same as their laughter,
and their silence and their shouting rise to one height
and their body temperature is between 98 and 104 degrees
and they have no life outside this narrow space
and they have no graven image, no likeness, no memory
and they have paper cups on the day of their rejoicing
and disposable paper plates.

Try to remember some details. For the world
is filled with people who were torn from their sleep
with no one to mend the tear,
and unlike wild beasts they live
each in his lonely hiding place and they die
together on battlefields
and in hospitals.
And the earth will swallow all of them,
good and evil together, like the followers of Korah,
all of them in their rebellion against death,
their mouths open till the last moment,
and blessing and cursing in a single
howl. Try, try
to remember some details.

~
Yehuda Amichai, The Art of Poetry No. 44, Interviewed by Lawrence Joseph (The Paris Review)

o deserto

Lehner & Landrock, 1924

Dios creó una tierra llena de agua para que los hombres pudiesen vivir y una tierra sin agua para que los hombres tengan sed, y un desierto; una tierra con agua y sin ella, para que los hombres encuentren su alma... 

Proverbio tuareg ~ Traducción de Plácido de Prada

9.9.13

...las Ítacas

Konstantino P. Kavafis, 1900 Alejandría. Fuente: Wikipedia
Constantino Petrou Cavafis  (Κωνσταντίνος Πέτρου Καβάφης.)

Alejandría, Egipto; 29 de abril de 1863 – 29 de abril de 1933

Ιθάκη


Σα βγείς στον πηγαιμό για την Ιθάκη,
να εύχεσαι νάναι μακρύς ο δρόμος,
γεμάτος περιπέτειες, γεμάτος γνώσεις.
Τους Λαιστρυγόνας και τους Κύκλωπας,
τον θυμωμένο Ποσειδώνα μη φοβάσαι,
τέτοια στον δρόμο σου ποτέ σου δεν θα βρείς,
αν μέν' η σκέψις σου υψηλή, αν εκλεκτή
συγκίνησις το πνεύμα και το σώμα σου αγγίζει.
Τους Λαιστρυγόνας και τους Κύκλωπας,
τον άγριο Ποσειδώνα δεν θα συναντήσεις,
αν δεν τους κουβανείς μες στην ψυχή σου,
αν η ψυχή σου δεν τους στήνει εμπρός σου.
Να εύχεσαι νάναι μακρύς ο δρόμος.
Πολλά τα καλοκαιρινά πρωϊά να είναι
που με τι ευχαρίστησι, με τι χαρά
θα μπαίνεις σε λιμένας πρωτοειδωμένους·
να σταματήσεις σ' εμπορεία Φοινικικά,
και τες καλές πραγμάτειες ν' αποκτήσεις,
σεντέφια και κοράλλια, κεχριμπάρια κ' έβενους,
και ηδονικά μυρωδικά κάθε λογής,
όσο μπορείς πιο άφθονα ηδονικά μυρωδικά·
σε πόλεις Αιγυπτιακές πολλές να πας,
να μάθεις και να μάθεις απ' τους σπουδασμένους.

Πάντα στον νου σου νάχεις την Ιθάκη.
Το φθάσιμον εκεί είν' ο προορισμός σου.
Αλλά μη βιάζεις το ταξίδι διόλου.
Καλλίτερα χρόνια πολλά να διαρκέσει·
και γέρος πια ν' αράξεις στο νησί,
πλούσιος με όσα κέρδισες στον δρόμο,
μη προσδοκώντας πλούτη να σε δώσει η Ιθάκη.

Η Ιθάκη σ' έδωσε το ωραίο ταξίδι.
Χωρίς αυτήν δεν θάβγαινες στον δρόμο.
Αλλο δεν έχει να σε δώσει πια.

Κι αν πτωχική την βρεις, η Ιθάκη δεν σε γέλασε.
Ετσι σοφός που έγινες, με τόση πείρα,
ήδη θα το κατάλαβες η Ιθάκες τι σημαίνουν.


ÍTACA


Si vas a emprender el viaje a Ítaca,
pide que tu camino sea largo,
rico en experiencias, en conocimiento.
A Lestrigones y a Cíclopes,
al airado Poseidón nunca temas,
no hallarás tales seres en tu ruta
si alto es tu pensamiento y limpia
la emoción de tu espíritu y tu cuerpo.
A Lestrigones y a Cíclopes,
ni al fiero Poseidón hallarás nunca,
si no los llevas dentro de tu alma,
si no es tu alma quien ante ti los pone.
Pide que tu camino sea largo.

Que numerosas sean las mañanas de verano
en que con placer, felizmente
arribes a bahías nunca vistas,
detente en los emporios de Fenicia
y adquiere hermosas mercancías,
medreperla y coral, y ámbar y ébano,
perfumes deliciosos y diversos,
cuanto puedas invierte en voluptuosos y delicados perfumes;
visita muchas ciudades de Egipto
y con avidez aprende de sus sabios.
Ten siempre a Ítaca en la memoria.

Llegar ahí es tu meta.
Mas no apresures el viaje.
Mejor que se extienda largos años;
y en tu vejez arribes a la isla
con cuanto hayas ganado en el camino,
sin esperar que Ítaca te enriquezca.

Ítaca te regaló un hermoso viaje.
Sin ella el camino no hubieras emprendido.
Mas ninguna otra cosa puede darte.

Aunque pobre la encuentres, no te engañará Ítaca.
Rico en saber y en vida, como has vuelto,
comprendes ya qué significan las Ítacas.


Poemas Canónicos(1895-1915)
(Traducción de José María Álvarez)
Constantino P. Kavafis

30.8.13




Pureza

                          Lá onde
a raiz da tua alma principia
há uma virgem que de ti se esconde
             e foge como estrela à flor do dia


Luís Veiga Leitão

(1943-1983)

imagem: Pina Bausch

11.8.13

A uma bicicleta desenhada na cela

Stanko Abadzic / Bicycle art on wall, 2008


A uma bicicleta desenhada na cela


Nesta parede que me veste
da cabeça aos pés, inteira,
bem hajas, companheira,
as viagens que me deste.

Aqui,
onde o dia é mal nascido,
jamais me cansou
o rumo que deixou
o lápis proibido…

Bem haja a mão que te criou!

Olhos montados no teu selim
pedalei, atravessei
e viajei
para além de mim.


Luís Veiga Leitão

30.6.13

cambios...




Aprender es la única manera de cambiar las cosas.
"Porque los ignorantes no construyen el mundo, lo reciben hecho"
Eduardo Galeano. Memoria del fuego.



Jesus Jaime Mota - Bubua
Aula de Especialización Fotográfica

20.3.13





É tão difícil guardar um rio
 

sobretudo quando ele corre 

dentro de nós.

 


Jorge Sousa Braga


Marcel Marceau

16.3.13

morning coffee!!!!




You must unlearn what you have been ‘programmed’ to believe from birth. 
That software no longer serves you if you want to live in a universe where all things are possible.
Jacqueline E. Purcell