24.7.11

O estágio do espelho: "tu és isto."

Mas eu nunca me pareci com isto!

— Como é que você sabe?

Que é este "você" com o qual você se pareceria ou não? Onde tomá-lo?
Segundo que padrão morfológico ou expressivo? Onde está o seu corpo de verdade?
Você é o único que só se pode ver em imagem, você nunca vê os seus olhos, a não ser abobalhados pelo olhar que eles pousam sobre o espelho ou sobre a objectiva (interessar-me-ia somente ver os meus olhos quando eles te olham): mesmo e sobretudo quanto ao seu corpo, você está condenado ao imaginário.

Roland Barthes por Roland Barthes
São Paulo: Cultrix, 1977 - Tradução: Leyla Perrone-Moisés

Divas

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Marilyn Monroe 1953 by Tom Kelly

Steinbeck

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John Ernst Steinbeck, Jr. (February 27, 1902 – December 20, 1968)

"I have always lived violently, drunk hugely, eaten too much or not at all, slept around the clock or missed two nights of sleeping, worked too hard and too long in glory, or slobbed for a time in utter laziness. I’ve lifted, pulled, chopped, climbed, made love with joy and taken my hangovers as a consequence, not as a punishment."

Jack & The Kubricks

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Jack Nicholson with Stanley and Vivian Kubrick during the filming of The Shining

23.7.11

Buenos Aires: como te quiero!

Hay una Buenos Aires que se resiste a morir, que se niega a perder definitivamente su identidad y dejarle el terreno libre a la globalización, una Buenos Aires que subsiste entre miles de Mc Donald's, "Discos" y "Pubs".
Al bar "El Chino" van pocos turistas, sólo aquellos en busca de lo auténtico, sólo los que se animan a salir del circuito turístico tradicional que, por supuesto, no incluye a lugares que no hayan sido previamente "preparados", embellecidos y pintados bajo normas internacionales.
Las paredes del bar El Chino con sus 50 años de historia y recuerdos, fotos, cuadros, firmas y afiches puestos al azar junto a dos o tres cantantes y una guitarra bastan para transportarnos a un pasado, si bien no tan lejano en el tiempo, tan lejos de nuestra realidad. Un pasado que estamos perdiendo.
En el bar "El Chino", en el barrio de Pompeya al sur de la ciudad, todos los viernes y sábados por la noche, se toca y canta tango.
Afortunadamente para Buenos Aires, el bar El Chino aún está.
Humberto Farro
El bar

El Bar "El Chino" se encuentra en Beazley 3566, Pompeya, Buenos Aires, Argentina.

Bar "El Chino"

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El bar "El Chino" en Buenos Aires
fotografias de Humberto Farro


Lisbon Revisited

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Fernando Pessoa na adega de Abel Pereira da Fonseca, em 1929.
Esta fotografia enviou-a ele a Ophelia Queiroz com a inscrição:

«Fernando Pessoa em flagrante delitro».

Lisbon Revisited
(1923)

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

Álvaro de Campos

Romy

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Romy Schneider : Paris, 1964
photo by Will McBride

22.7.11

HOLLYWOODIANAS

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Metro Goldwin Mayer Presents: Primo Carnera & Jean Harlow em Bombshell,
'Mademoiselle Dinamite': dir. Victor Fleming, 1933


Nouvelle cuisine

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À procura do absoluto

Alberto Giacometti no atelier, Paris 1950 Foto de Ernst Scheidegger.jpg
Alberto Giacometti no seu atelier em Paris, 1950
Fotografia de Ernst Scheidegger


Ele sabe o que queria fazer e nós não o sabemos; mas sabemos o que tem feito e ele ignora-o: mais da metade dessas esculturas ainda estão presas à sua carne, é-lhe impossível vê-las: mal as acaba, está já para além delas a sonhar com mulheres ainda mais delgadas, ainda mais longas, ainda mais leves, e é graças à sua obra que concebe o ideal em nome do qual a julga imperfeita. Isso nunca acabará simplesmente por que um homem está sempre para além do que faz. "Quando acabar", diz ele, "escreverei, pintarei, divertir-me-ei".
Mas morrerá antes de acabar.

Quem tem razão, ele ou nós? Ele, desde já, porque, como diz Leonardo da Vinci, não é bom que um artista esteja contente. Mas também nós — e em última instância. Kafka, no momento da sua morte, queria que queimassem os seus livros, e Dostoiévski, nos últimos tempos de sua vida, sonhava dar continuidade aos Karamazov. Provavelmente, morreram um e outro com mau humor, este pensando que não tinha ainda nada feito de bom, aquele pensando que resvalaria para fora do mundo sem sequer o ter arranhado. E, todavia, esses dois ganharam, para além do que tinham podido pensar. Giacometti também; e ele sabe-o bem.

É em vão que Giacometti se agarra às suas esculturas como um avarento ao seu dinheiro escondido; é em vão que ele retarda, temporiza, encontra cem artimanhas para ganhar um pouco de tempo: os homens vão entrar em sua casa, afastá-lo, levar todas as suas obras e até o gesso que cobre o chão. Sabe-o, o seu ar de perseguido traiu-o: sabe que ganhou, a despeito de si mesmo, e que nos pertence.

Ao contrário do classicismo, Giacometti restitui às esculturas um espaço imaginário e sem partes. Aceitando de chofre a relatividade, encontrou o absoluto. É que ele foi o primeiro que soube esculpir o homem tal como o vemos, isto é, à distância.

Jean-Paul Sartre. Situações III.
Europa-América: Lisboa, 1971 (excerto) ズ

21.7.11

L'Étranger

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Albert Camus (Paris, 1944) by Henri Cartier-Bresson

The funeral of John Coltrane

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John Coltrane died at July 17, 1967
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John Coltrane - "Obituary" Pamphlet from his funeral
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An original "obituary" program from John Coltrane's funeral -- what a sad, sad day that was. Printed on card stock, this measures 8.5" x 5" folded, and as you can see it features the photograph from "A Love Supreme" on the front cover. Opened it measures 8.5" x 10" and has the program for Coltrane's memorial service, which featured performances by the Albert Ayler Quartet and Ornette Coleman's quartet. These were given out to those who attended the service. This is absolutely authentic, and came from his family, and is in near mint condition. Historic, to say the least.
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Albert Ayler performing at John Coltrane's funeral in 1967 Photo-  Ray Ross.jpg
Albert Ayler, Don Ayler, Richard Davis

The funeral of John Coltrane at St Paul’s Lutheran Church, New York, July 21st, 1967

© Raymond Ross

When John Coltrane died of liver cancer on July 17, 1967 Albert Ayler was asked to play at his funeral, which was held four days later at St Peters Lutheran Church in New York City. Ayler's work had a profound influence on Coltrane's and Coltrane would emerge as the leading proponent of Ayler. He regularly spoke of Ayler as an otherworldly sort of musician, often relented to him on stage, and was responsible for Ayler's signing to Impulse! Records, the leading jazz label of the 1960s. He also reportedly supported Ayler and members of Ayler's band financially at times.
There is no video of The Albert Ayler Quartet performing at Coltrane's funeral (Ayler opened the proceedings and Ornette Coleman closed them), but audio did sufrace in the Holy Ghost set released by Revenant Records. The audio is imperfect, but the recording has an aura that is strangely appropriate.



Love Cry / Truth Is Marching In / Our Prayer

Albert Ayler Quintet

A. Ayler
on tenor saxophone and vocal
 D. Ayler on trumpet 
R. Davis on bass
 M. Graves on drums

— Holy Ghost: Rare & Unissued Recordings (1962-70) —

The other band was Ornette Coleman Quartet
They played Holiday for a Graveyard

.

My Favorite Things

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John Coltrane
(1926-1967)

19.7.11

regressei

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4 dias no campo é uma libertação
qualquer dia, serão todos os dias
outra música, outra luz
fotografia: troisiemeoeil.org

“There are only a few obvious things that I notice as primarily beautiful: women, spring evenings, music at night, the sea; I don’t catch subtle things like ‘silver snarling trumpets.’ I may turn out an intellectual, but I’ll never write anything but mediocre poetry.”
- F. Scott Fitzgerald

The jazz covers of Jim Flora

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Charlie Ventura: For Boppers Only Label: RCA Victor EP-659 7" LP 1954
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Various Artists: Mambo for Cats Label: RCA Victor 1063 12" LP 1955
Bix and Tram, Bix Beiderbecke with Frankie Trumbauer's Orchestra, 1947 (artwork by Jim Flora).jpg
Bix and Tram, Bix Beiderbecke with Frankie Trumbauer's Orchestra, 1947
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Shorty Rogers & Andre Previn Collaboration 1954
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Inside Sauter-Finegan Label: RCA Victor LJM-1003 12" LP 1954
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This is Benny Goodman Label: RCA Victor LPT-3056 12" LP 1954
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Nick Travis: The Panic Is On Label: RCA Victor EJC-1010 7" EP 1954
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Shorty Rogers: Courts the Count Label: RCA Victor LJM-1004 12" LP 1954

RCA VICTOR

The jazz covers of Jim Flora

só para Zap­pa­ná­ticos

14.7.11

El boi

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What makes a man a man?
A friend of mine once wondered.
Is it his origins?
The way he comes to life?
I don't think so.
It's the choices he makes.
Not how he starts things...
...but how he decides to end them.

Hellboy