7.12.11

QUANDO VIERES


Quando vieres
Encontrarás tudo como quando partiste.
A mãe bordará a um canto da sala…
Apenas os cabelos mais brancos
E o olhar mais cansado.
O pai fumará o seu cigarro depois do jantar
E lerá o jornal.

Quando vieres
Só não encontrarás aquela menina de saias curtas
E cabelos entrançados
Que deixaste um dia.
Mas os meus filhos brincarão nos teus joelhos
Como se te tivessem sempre conhecido.
Quando vieres
Nenhum de nós dirá nada
Mas a mãe largará o bordado
O pai largará o jornal
As crianças os brinquedos
E abriremos para ti os nossos corações.

Pois quando vieres, Não és só tu que vens,
É todo um mundo novo que despontará lá fora
Quando vieres”

Maria Eugénia Cunhal
Poema XVII de Silêncio de vidro, pág. 34 e 35 da edição da Autora, impressão de Abril de 1962.

Desenho de Rogério Ribeiro.

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