28.9.11

Damian


"Não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca, mas agora já não busco mais nas estrelas e nos livros: começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim. Não é agradável a minha história, não é suave e harmoniosa como as histórias inventadas; sabe a sensatez e a confusão, a loucura e sonho, como a vida de todos os homens que já não querem mentir a si mesmos (...) Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente em mim. Por que isso me era tão difícil? (...) Não creio que se possam considerar homens todos esses bípedes que caminham pelas ruas, simplesmente porque andam eretos ou levem nove meses para vir à luz. Sabes muito bem que muitos deles não passam de peixes ou de ovelhas, vermes ou sanguessugas, formigas ou vespas (...)
Quando me comparava com os demais, sentia-me muitas vezes orgulhoso e satisfeito comigo mesmo, e em outras tantas deprimido e humilhado. Ora me acreditava um verdadeiro gênio, ora fraco do juízo. Não me era possível compartilhar a vida e as alegrias dos outros rapazes de minha idade, e às vezes reprovava asperamente o meu isolamento e sentia profunda tristeza, crendo-me definitivamente afastado de todos os meus semelhantes, com todas as portas da vida fechadas irrevogavelmente para mim (...) A única realidade é aquela que se contém dentro de nós, e se os homens vivem tão irrealmente é porque aceitam como realidade as imagens exteriores e sufocam em si a voz do mundo inteiro. (...) O caminho da maioria é fácil, o nosso é penoso. Caminhemos.”
Hermann Hesse - Damian

Fot: Antonioni - LaNotte

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