16.11.11

"livros licenciosos..."

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N'"O Vício em Lisboa" (Antigo e Moderno), publicado pela primeira vez em 1912, o autor descreve com um alegado hiper-realismo experiente a vida das prostitutas lisboetas e seus clientes. Da degeneração das criaditas subjugadas ao vício do amor às costureirinhas ambiciosas, das hospedarias imundas aos bordéis e casas chiques, aqui se tecem as considerações morais sobre uma cidade de onde há até testemunho de cinema pornográfico com sexo ao vivo no mesmo ano de 1912. Inclui Regulamento Policial das Meretrizes e Casas Toleradas da Cidade de Lisboa, emitido pelo Governo Civil de Lisboa em 1865.

Fernando Schwalbach "O vício em Lisboa - antigo e moderno" tinta da china, 2011

O livro conta com os hilariantes desenhos de Rafael Bordalo Pinheiro (sob anonimato) e com textos de autores desconhecidos, mas sem dúvida com a mais elevada erudição e desbragado sentido de humor. Um almanaque típico do século XIX, com os habituais calendários, adágios, adivinhas, canções, enigmas, pequenos contos, textos pseudocientíficos, alguns dos quais alusivos às viagens em África ou aos progressos no campo das ciências naturais. Mas a temática, essa, é inteiramente distinta...

Rafael Bordalo Pinheiro "O Pauzinho do Matrimónio - Almanaque Perpétuo" tinta da china, 2011


Esta obra foi escrita na clandestinidade de um pseudónimo por Cândido de Figueiredo, ilustre lexicógrafo, presidente da Academia de Ciências de Lisboa e fundador da Sociedade de Geografia de Lisboa. Uma divertida e muitíssimo picante novela, definitivamente proibida a menores de 18 anos. Segue-se-lhe "Proezas de Frade ou Mistérios do Confessionário", um texto em verso também publicado no final do século XIX por autor anónimo. A temática, muito comum na época, envolve um clérigo e as suas escaldantes aventuras. A linguagem, para dizer o mínimo, libertina, apanhará desprevenidos os leitores, a quem apenas o riso poderá salvar da apoplexia.

Cândido de Figueiredo "Entre Lençóis - Episódios Inocentes para Educação e Recreio de Pessoas Casadoiras" tinta da china, 2011

colecção dirigida pelo Historiador António Ventura, a partir da sua biblioteca privada.

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