12.10.11

No teu poema



No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,

um corpo que respira,
um céu aberto,
janela debruçada para a vida.



No teu poema 

existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura, 

e aberta, uma varanda para o mundo.



Existe a noite,

o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia

e o cansaço do corpo que adormece em cama fria.



Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.



No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,

a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.

No teu poema
existe um canto chão alentejano,

a rua e o pregão de uma varina

e um barco assoprado a todo o pano.

Existe um rio

o canto em vozes juntas, vozes certas

Canção de uma só letra e um só destino 

a embarcar no cais da nova nau das descobertas



Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,

o risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste,

que vence ou adormece antes da morte



No teu poema

existe a esperança acesa atrás do muro,

existe tudo o mais que ainda escapa

e um verso em branco à espera de futuro.


Versos de José Luís Tinoco e interpretado, de uma forma magnífica por Carlos do Carmo




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1 comentário:

  1. DL
    http://www.divshare.com/download/15927806-a83
    ou
    http://www.4shared.com/audio/kHqR9xfZ/No_Teu_Poema.html?

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