11.10.11

No Passado, 9 de Outubro de 1967



São duas as fotografias mais conhecidas de “Che” Guevara. Uma é a de Alberto Korda, conhecida por Guerrilheiro Heróico, tirada no dia 5 de Março de 1960. É a das t-shirts, de que o artista plástico Jim Fitzpatrick foi o primeiro a criar uma estampa. O guerrilheiro participava num memorial às vítimas de uma explosão. Atrai desde então pelo seu olhar perdido no mundo com que sonhava. Outra é esta, tirada no dia 9 de Outubro de 1967, um dia depois de ser ferido numa perna, detido e morto em La Higuera, na Bolívia do Presidente René Barrientos.



Atrai porque choca, porque é o fim do sonho, a tiro, pela mão do soldado Terán, por ordem do coronel Anaya, que por sua vez a recebeu do alto. Não se conhece o autor. Nas imagens filmadas que na altura se fizeram do cadáver, circulam repórteres e militares. O corpo foi enterrado clandestinamente, para ser descoberto por investigadores forenses, em 1997, numa vala comum em Vallegrande, a cerca de 50 quilómetros do lugar onde foi morto.



Ernesto “Che” Guevara, de nascimento argentino e do mundo por escolha, com a revolução cubana pelo meio, já era um mito. O seu enterro às escondidas não evitou a glorificação, que teve a sua expressão máxima nos funerais de Estado a que Fidel Castro presidiu em Outubro desse mesmo ano. Todos os dias desfilam pessoas pelo mausoléu em Santa Clara, de pedra e de silêncio. Gustavo Villoldo, 72 anos, o agente da CIA que levou os restos mortais do guerrilheiro para os enterrar, de noite, fundo na terra e na memória, hoje exilado em Miami, com oito filhos e 17 netos, queixou-se no ano passado de tanta homenagem. “Não compreendo os jovens que crêem que 'Che' merece admiração”, disse. Pois não.



Fernando Sousa

(Público, P2, No Passado, 9 de Outubro de 1967)


os agentes cubano-americanos da CIA
Julio G. García (esq.) e Gustavo Villoldo.
CIA Operative Who Tracked Che Wins $1 Billion in Lawsuit


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