30.3.12

Camera Obscura:


The vortex is the point of maximum energy.
         It represents, in mechanics, the greatest efficiency.
         We use the words “greatest efficiency” in the precise sense—as they would be used in a text book of MECHANICS.
         You may think of man as that toward which perception moves. You may think of him as the TOY of circumstance, as the plastic substance RECEIVING impressions.
         OR you may think of him as DIRECTING a certain fluid force against circumstance, as CONCEIVING instead of merely observing and reflecting.

Ezra Pound -  Vortex 1914 -  Vortex by Ezra Pound

As gajas do Pinto

Do álbum de família, 1934: ampliada, chiaro.

O meu pai era apaixonado pela do meio. Linda!
Tempos depois, escreveu a peça homônima e casou com a minha mãe, grande família!

Eu nasci anos depois e sou o filho mais velho de 8 irmãos, 1ma irmã e 1m irmão e mais 3 irmãs e 2 irmãos de duas outras familias.
Conhecemo-nos todos no dia do funeral do meu pai.

Damo-nos todos bem e espantados, perguntamos aos nossos botões...
 — Como foi possível termos crescido separados? e termos pertencido à mesma escola...

Ando a relêr os contos e as peças todas, não haja por aí mais alguma coisa esquecida... oculta

25.3.12

do amor amor


porque o amor meu amor é este equilíbrio
esta serenidade de coração e árvores


Egito Gonçalves - 366 poemas que falam de amor




24.3.12

CONVITE


Nesta fase em que só o amor me interessa
o amor de quem quer que seja
do que quer que seja
o amor de um pequeno objecto
o amor dos teus olhos
o amor da liberdade

o estar à janela amando o trajecto voado
das pombas na tarde calma


nesta fase em que o amor é a música de rádio
que atravessa os quintais
e a criança que corre para casa
com um pão debaixo do braço

nesta fase em que o amor é não ler os jornais


podes vir podes vir em qualquer caravela
ou numa nuvem ou a pé pelas ruas
- aqui está uma janela acolá voam as pombas -

podes vir e sentar-te a falar com as pálpebras
pôr a mão sob o rosto e encher-te de luz

porque o amor meu amor é este equilíbrio
esta serenidade de coração e árvores

Egito Gonçalves (366 poemas que falam de amor, Quetzal Editores)

Vivian Maier

© Vivian Maier

Spectacle, a última ceia

Spectacle, 2003  © Fundación Augusto y León Ferrari

anab.


Tenho um sinal que me morde. 
E hoje parece esfomeado... 

há bons blogs e outros são do catano
Faneca, o cão sem olhos - este, li-o até ao fim

o Crime e o Castigo


18.3.12

o sol do meio dia

Fotografia : Robert Doisneau

Little Fugitive


 
 

Little Fugitive, 1953, B/W, 80 Min.
Written and Directed by Morris Engel, Ruth Orkin and Ray Ashley Starring Richie Andrusco and Rickie Brewster


Ill nome della Rosa

Photo: Annie Griffiths Belt - National Geografic
Tjapukai Aboriginal Park, Cairns Queensland, Australia

On i

There is little doubt that Apple is not just a company, it’s a zeitgeist. Apple products inspire brand loyalty that rivals Harley-Davidson’s (Exhibit A), with a reputation centered on quality and innovation.

But there’s something more insidious going on, and it has nothing to do with Apple Fanboys: Apple has taken our identities. Not literally of course, but it has taken our own identifier, “I.” For those interested in the philosophical implications of the self and what it means to be conscious and self-aware, “I” holds great importance. 18th century philosopher David Hume famously explored the concept of the self over time, and the book Gödel, Escher, Bach: An Eternal Golden Braid is a Pulitzer Prize-winning 800-page tome centered around defining the Self as a “strange loop,” and explores this concept through a wide range of analogies and examples. These are just two of hundreds of works based on “I”.

But what of “i”?

Apple’s iPod has relegated the proper noun “I” to the ranks of standard noun, and instead gives Pod the distinction. The Pod is the Thing, not us. The iMac, the iPhone… iWork, iLife… What happens when we start to use the lower-case “i” to refer to ourselves?:

i think, therefore i am not.

i don’t think this was an intentional move by Apple, but simply an unintended consequence. My feeling is that they used “i” because it looks like an upside-down exclamation point—a purely aesthetic choice. But perhaps they are playing with the use of i to represent imaginary numbers in mathematics, and used this to embed the concept of “imagination.” Or maybe “innovation” is the suggestion. But the connection between the imaginary and the self is a dark philosophical notion, one that we are all familiar with after having watched The Matrix.

At the end of the day the concept works brilliantly from a marketing perspective. To get someone to fall in line and do your bidding, you must first break the will. You must destroy your subject’s sense of importance and worth. “I am nothing.” Or, rather:

iThink, therefore iBuy.

> On i - BlogSounds  [August 29, 2009]

i... i... i...    i... i... think!... !... !...

Você Sabe com quem está falando?....



17.3.12

Portugal



Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir
como se tivesse oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os infiéis ao norte de África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava os órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo mentira que o Infante
D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electrochoques e está a recuperar
aparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um futuro de rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiros dos Jerónimos a ver se contraía a febre do Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr encontrar uma pétala que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
como me pude eu apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu
mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentúgal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade
Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete Salazar estava no poder nada de ressentimentos
O meu irmão esteve na guerra tenho amigos que emigraram nada de ressentimentos
Um dia bebi vinagre nada de ressentimentos
Portugal
depois de ter salvo inúmeras vezes os Lusíadas a nado na piscina municipal de Braga
ia agora propor-te um projecto eminentemente nacional
Que fôssemos todos a Ceuta à procura do olho que Camões lá deixou
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca

Jorge Sousa Braga, do livro «De manhã vamos todos acordar com uma pérola no cu»
 

Piedras : el discurso del silencio


"[...] Como en el vientre de la piedra las cosas aún no son, entonces nada se puede decir de ellas todavía, sin embargo ese silencio es más fuerte y seguro que cualquier definición del diccionario. El silencio adentro de la piedra es el trasfondo de todas las palabras, lo que todas tienen en común. Y aunque, liados con la conversación, muchas veces olvidemos esto, siempre vuelve y volverá el silencio a nosotros de nuevo (entre las frases, entre las conversaciones, entre las miradas) para hacernos recordar de dónde viene nuestra voz."




Bad As Me


Tom Waits - Bad As Me - 2011



Follow by email