25.9.10

A memória não cunha moeda


São os rios

Somos o tempo. Somos a famosa
parábola de Heraclito o Obscuro.
Somos a água e não o diamante duro,
a que se perde, não a que repousa.
Somos o rio e somos aquele grego
que se olha no rio. A sua visagem
muda na água da mutável imagem,
no vidro que muda como o fogo.
Somos o vão rio determinado,
rumo ao seu mar, pela sombra cercado.
Tudo nos diz adeus, tudo nos deixa.
A memória não cunha moeda.
E contudo há algo que se queda
e contudo há algo que se queixa.

Jorge Luis Borges

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