6.9.14
Retratos
"O retrato de família, a foto de casamento no quarto de dormir, o retrato do proprietário no salão, de corpo inteiro ou só o busto, o rosto das crianças emoldurado em toda parte. Tudo isto que constitui de certa forma o espelho diacrônico da família, desapareceu num certo estágio da modernidade."
(Jean Baudrillard, O sistema dos objetos; - São Paulo: Editora Perspectiva, 1973).
Foto: © Eugene Richards (Álbum de família, Dorcheter, Massachusetts, 1976, colecção Museum of Contemporary Photography)
10.8.14
OLYMPIA
São femininos os símbolos da revolução francesa,
mulheres do mármore ou bronze, poderosas tetas nuas, gorros frígios, bandeiras ao vento.
Mas a revolução proclamou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, quando a
militante revolucionária Olympia de Gouges propôs a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã,
a guilhotina cortou-lhe a cabeça.
Ao pé do cadafalso, Olympia perguntou:
— Se como mulheres estamos capacitadas para subir na guilhotina,
por que não podemos subir nas tribunas publicas?
Não podiam. Não podiam falar, não podiam votar.
As companheiras de luta de Olympia de Gouges foram trancadas no hospício.
E pouco depois da sua execução, foi a vez de Manon Roland.
Manon era a esposa do ministro do Interior, mas nem isso pôde salvé-la.
Foi condenada pela sua antinatural tendência à actividade política.
Ela tinha traído sua natureza feminina, feita para cuidar do lar e parir filhos valentes,
e havia cometido a mortal insolência de meter o nariz nos masculinos assuntos de estado.
E a guilhotina caiu de novo".
Eduardo Galeano :: Espelhos
Déclaration des droits de la femme et de la citoyenne — Wikipédia
Déclaration des droits de la femme et de la citoyenne
25.6.14
Yorik
1.° COVEIRO
Era dum camarada bem maluco; a quem julgais que pertenceria?
HAMLET
Em verdade, nao sei.
1.° COVEIRO
Era dum maluco bem grande, mé peste o matasse! Certa ocasião, despejou sobre a minha cabeça uma garrafa de ‘vinho do Reno. Esta caveira, senhor, a caveira que estais a ver, é a de Yorik, o bobo do rei.
HAMLET
1.° COVEIRO
Essa mesma.
HAMLET
HORÁCIO
Que é, senhor?
HAMLET
HORÁCIO
Exactamente a mesma…
HAMLET
HORÁCIO
Absolutamente, meu senhor.
HAMLET
imagem: Richard Burton, Hamlet
O imaginário museu
André Malraux, Le Musée Imaginaire (1947). © Maurice Jarnoux, 1953
Brassaï - Mur chez Bonnard (estampe japonaise), 1946
Robert Doisneau, Le Sculpteur, 1950
24.6.14
18.6.14
4.6.14
25.5.14
Meditação na Pastelaria
Ruth Orkin, american girl in italy 1951
"Mas uma senhora é uma senhora. / Só vê a malícia quem a tem. / Uma senhora passa / e ladrar é o seu dever ― se tanto for preciso!"
Alexandre O'Neill, Meditação na Pastelaria
10.5.14
20.4.14
em Abril
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
CRAVOS
CRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOSESCRAVOSESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
CRAVOS
CRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOS
ESCRAVOSESCRAVOSESCRAVOS
29.3.14
Os 3 Reis Magos
Fulano, Beltrano, Sicrano
Lembro-me do meu pai falar deles amiude, Fulano isto, Sicrano aquilo e Beltrano também... costumava falar deles p'ro bem e p'ro mal, quando assim lhe convinha, enfim!... nunca soube bem porquê, soube-o à dias no instante em que me perguntavam o nome dos três reis magos e respondi Fulano, Sicrano e Beltrano e ficaram todos atónitos a olhar para mim... — É a sério ou estás a inventar?
— A sério, Fulano, Sicrano e Beltrano... — soube-o nesse quimérico instante e em silêncio e com um secreto sorriso fui dando conta de muitas outras memórias...
Era costume encontrá-los ao fim do dia a fumar e a beber copos na taberna do meu pai. Na altura eu era muito miúdo para saber verdadeiramente alguma coisa de reis... já lá vão muitos anos
Imagem: Marcel Marceau
19.3.14
Rainer Maria Rilke (1875-1926)
Rainer Maria Rilke, Sommer 1913. Foto: pa/akg
Rainer Maria Rilke, Villa Strohl-Fern, Roma, 1904.
o homem que casou com uma sereia
Creio que devia começar a trabalhar, agora que aprendo a ver. Tenho vinte e oito anos, e até aqui aconteceu tanto como nada. Vamos repetir: escrevi um estudo sobre Carpaccio, que é mau; um drama chamado «Matrimónio» que quer provar, por meios equívocos, qualquer coisa falsa; e versos. Ah, mas que significam os versos, quando os escrevemos cedo! Devia-se esperar e acumular sentido e doçura durante toda a vida e se possível durante uma longa vida, e então, só no fim, talvez se pudessem escrever dez versos que fossem bons. Porque os versos não são, como as gentes pensam, sentimentos (esses têm-se cedo bastante), — são experiências. Por amor de um verso têm que se ver muitas cidades, homens e coisas, têm que se conhecer os animais, tem que se sentir como as aves voam e que se saber o gesto com que as flores se abrem pela manhã. É preciso poder tornar a pensar em caminhos em regiões desconhecidas, em encontros inesperados e despedidas que se viram vir de longe, — em dias de infância ainda não esclarecidos, nos pais que tivemos que magoar quando nos traziam uma alegria e nós não a compreendemos (era uma alegria para outro), em doenças de infância que começam de maneira tão estranha com tantas transformações profundas e graves, em dias passados em quartos calmos e recolhidos e em manhãs à beira-mar, no próprio mar, em mares, em noites de viagem que passaram sussurrando alto e voaram com todos os astros, — e ainda não é bastante poder pensar em tudo isto. É preciso ter recordações de muitas noites de amor, das quais nenhuma foi igual à outra, de gritos de mulheres no parto e de parturientes leves, brancas e adormecidas que se fecham. Mas também é preciso ter estado ao pé de moribundos, ter ficado sentado ao pé de mortos no quarto com a janela aberta e os ruídos que vinham por acessos. E também não é ainda bastante ter recordações. É preciso saber esquecê-las quando são muitas, e é preciso ter a grande paciência de esperar que elas regressem. Pois que as recordações mesmas ainda não são o que é preciso. Só quando elas se fazem sangue em nós, olhar e gesto, quando já não têm nome e já se não distinguem de nós mesmos, só então é que pode acontecer que, numa hora muito rara, do meio delas se erga a primeira palavra de um verso e saia delas.
Rainer Maria Rilke - Die Aufzeichnungen des Malte Laurids Brigge
Os cadernos de Malte Laurids Brigge - 3ª ed. O Oiro do dia, 1983, trad. Paulo Quintela
18.3.14
Je est an autre
" quanto mais nos elevamos,
menores nos parecemos aos
olhos daqueles que não sabem voar".
nietzsche
menores nos parecemos aos
olhos daqueles que não sabem voar".
nietzsche
" desde a revolução industrial, os homens deixaram de lado a busca pelos objetivos mais dignos como seres humanos, e se inclinaram a obter bens materiais. a perda da dignidade provoca a degeneração espiritual, isto é, a morte do espírito humano. uma sociedade que perde suas aspirações humanísticas se tornará fria, insensível, atormentada pelo dogmatismo e pela ignorância."
daisaku ikeda
daisaku ikeda
5.3.14
‘tás-m’ a comprender?
"Lingerie model standing in office, smoking while modeling undergarments."
Chicago, 1949. ~ photo by Stanley Kubrick - Look Magazine
'stás a comprender?
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