15.1.13



"Curva-te apenas para amar."
René Char


HuesForAlice

meditação na pastelaria



Gente Singular*

Juro que não ia falar de tabaco. Nem sequer para prestar solidariedade ao presidente da ASAE, apanhado a fumar no Casino do Estoril depois da entrada em vigor da lei que proíbe o fumo, a qual será fiscalizada pelo próprio organismo a que preside António Nunes. Sobre o acontecido, e já que voltei ao tema, só quero dizer o seguinte: antes aldrabão que fascista! (A propósito de casino, recordo que nem os norte-americanos, pioneiros da luta antitabágica, se lembraram de proibir o fumo aqui).
Como resistir, porém, a esta matéria pícara vinda directamente do Sul? (Relembro que o Sul é aquela direcção que Pedro Bidarra nunca saberia apontar por muito xerém que comesse).
Transcrevo: Um auto «foi levantado no Algarve, terça-feira, pouco antes de almoço, quando o proprietário de um café da Fuzeta, concelho de Olhão, chamou a GNR para autuar um cliente que se recusava a apagar o cigarro. Chegada a patrulha, o prevaricador e seus cigarros já tinham partido e o dono do café não conseguiu identificá-lo para posterior autuação. Contudo, os militares da GNR acabaram por multar o dono do estabelecimento, porque não tinha colado os obrigatórios dísticos de proibição de fumar. "Se ainda estivesse no café, o próprio fumador poderia sempre ter alegado que não sabia se era proibido ou não fumar, porque nada o indicava naquela casa", enfatizou à Lusa uma fonte da GNR».
Pela parte que me toca, fico feliz: multou-se o bufo, ilibou-se o fumador. Este saiu à francesa, àquele saiu-lhe a coima e como prémio de consolação uma praga da Fuseta. Por exemplo: «Deus permita que venhas a morrer afogado numa pia de água benta!»

* Título roubado a um conto de Manuel Teixeira Gomes, escritor algarvio e Presidente da República entre 1923 e 1925, tendo resignado ao cargo.


O Manuel da Fonseca bem avisara: «Isto de estar vivo ainda um dia acaba mal»

gamaado no blog: MEDITAÇÃO NA PASTELARIA - Gente Singular

14.1.13

o tabaco da vida



Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
....


Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada,
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

...

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.

O que for, quando for, é que será o que é.
...

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,

Não há nada mais simples.
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.

Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Alberto Caeiro
Fernando Pessoa, Obra Poética e em Prosa, ed. António Quadros. Porto, Lello & Irmão, 1986.

A noite e o riso


A certa altura no livro de Nuno Bragança, uma personagem feminina e misteriosa chamada Zana diz:
"Descobri que a única coisa que me interessa a fundo é escrever, o resto é vivido por causa disso. Ou seja, tudo o que me interessa a fundo é viver, o resto vai ser escrito por causa disso."

a viagem do elefante


Jill Freedman

            "Até nas flores se nota
              a diferença da sorte
                   umas enfeitam a vida
                   outras enfeitam a morte"


Erazê Martinho, inspirado em cantiga lusitana


21.12.12

il ritorno


Tilda Swinton, 1999
photo: Fabio Lovino

Regresso

ainda que o mundo acabe... ou que a pátria nos foda a todos

ainda que o mundo renacha... o verdadeiro animal de pêlo

recomecêmos, regresso

…bebo, fumo, falo…
como quem respira (dizem-me) e eu rio-me, caganda cena...
não tenho opiniões, nem nunca procurei formular juizos
e desde o inicio que procuro alguma coerência
a invisibilidade também se treina...
não gosto de herois
e a moralidade chateia-me, o senso comum e o catano….

Regresso
com o dia a dia
o que quer que seja,
com todas as afinidades (electivas) que me aparecem
ainda que às arrecuas...
...aqui estou ...vamos lá ver se consigo ser diario...

recomecemos, regresso, e agradeço a todos:
amigos, companheiros, palhaços... de vitórias, lutas e batalhas...
pelos amigáveis emails e pelos afectuosos comentários


que não nos falte nunca a poesia ou o poema


Abreijos
bjs e abçs e bem hajam
ou obrigados como hoje se diz


16.12.12

...







Não o Sonho
       
        Talvez sejas a breve
        recordação de um sonho
        de que alguém (talvez tu) acordou
        (não o sonho, mas a recordação dele),
        um sonho parado de que restam
        apenas imagens desfeitas, pressentimentos.
        Também eu não me lembro,
        também eu estou preso nos meus sentidos
        sem poder sair. Se pudesses ouvir,
        aqui dentro, o barulho que fazem os meus sentidos,
        animais acossados e perdidos
        tacteando! Os meus sentidos expulsaram-me de mim,
        desamarraram-me de mim e agora
        só me lembro pelo lado de fora.
       
        Manuel António Pina, "Atropelamento e Fuga"




12.12.12



Where is the future we tried to build?

     Why don’t I feel at home here?


13.9.12

esta noite deixei o meu coração em Buenos Aires

La investigación 
Fotografía - Topical Press Agency


"Quem olha para fora, sonha...
 Quem olha para dentro, desperta!"

C. G. Jung

Clever Dogs


Clever Dogs
A photography by Karel Hájek (1900-1978)
one of the most outstanding figures of the czech reportage photography


"You can find pictures anywhere. It's simply a matter of noticing things and organizing them."
-Elliott Erwitt


12.9.12

oh Lord...


Janis Joplin by Richard Avedon
New York City, August 28, 1969



"de amor ya no se muere"



En el año 1970, Salvador Allende ganó las elecciones y se consagró presidente de Chile.
Y dijo:

— Voy a nacionalizar el cobre.
Y dijo:
— Yo de aquí no salgo vivo.
Y cumplió su palabra.


Por Eduardo Galeano
Fotografía: Anónimo


Lennon & Che

John Lennon & Ernesto Che Guevara, Chicago, 1966

Chicago, 11 de agosto de 1966. John Lennon se refugió en una vieja cabina de grabación de radio para estar solo y relajarse. Recién salía de una conferencia de prensa bajo la presión del escándalo desatado por sus declaraciones en marzo al London Evening Standard (aunque en Estados Unidos se conoció esto a través de la revista Datebook) donde afirmó que los Beatles ya eran más famosos que Jesucristo. Situación que en Estados Unidos propició el veto de su música en varias estaciones de radio.
Aquel 11 de agosto, Lennon con guitarra en mano, levantaba su mirada y ante él estaba otra figura de pelo largo y con sueños de libertad.
Guevara no sabía cantar pero tomó una guitarra y cantó, más bien gritó canciones sobre los oprimidos y las causas justas. John lo escuchó sin decir palabra alguna y el Che se fue así como llegó.
Ni John ni Ernesto comentaron nunca nada acerca de ese extraño encuentro.
Hoy se conoce la existencia de aquel miniconcierto secreto, y ya algunos se han aventurado en decir que ese encuentro marcó en definitiva la producción artística de John.
Otros hasta han llegado a escuchar fragmentos de aquellos “cantos” del Che en “Revolución #9″, del album blanco de Los Beatles. 


source: Maritalisy

sedução...


Na língua alemã, die Verführung (a sedução) conservou o seu sentido etimológico, que é um sentido activo. Trata-se sobretudo de enganar, induzir em erro, desviar, corromper, abusar. É sempre esse sentido que está implicado nos textos que nos ocupamos: a acção sedutora. Der Führer é o chefe, o guia, como se sabe; verführen (o verbo) implica não somente seduzir mas subornar e perverter; der Verführer é aquele que desvia, Don Juan, "o abusador" de Sevilha e de outros lugares. Die Verführung traduz-se no melhor sentido por desvio ou desencaminhamento. Em alemão a sedução de uma criança é o estupro.

Em francês, essa palavra é utilizada no seu sentido passivo; é o meio de encantar; é a atracção espontânea ou artificial, armadilha do desejo do outro. Em francês, a sedução de uma criança é o seu encanto.

In Pierre Sabourin. Ferenczi: Paladino e Grão-Vizir Secreto.
São Paulo: Martins Fontes, 1988. 


Foto de Rodney Smith 

11.9.12

mujeres y filosofia


Rossy de Palma Madrid 2002 by Nabil Youssef



LAS MUJERES Y LA FILOSOFIA

Siempre es igual
Uno propone un amor platónico
y ellas responden con un odio aristotélico.

Gonzalo Fragui in Poemas. Revista Poesia, nº 133.
Valencia: Octubre, 2002 - Vol.XXIV - Nº2.


After Sylvia


photo by Yasumasa Morimura

After Sylvia Kristel


Magnum in Motion

Thomas Dworzak

© Thomas Dworzak/Magnum Photos

Às vezes (tantas vezes) até me esqueço que elas existem. Mas sempre que as redescubro admiro a beleza e a simplicidade com que são construídas. O último grande exemplo dessa extraordinária capacidade para ir dando sequência e ritmo às imagens está no trabalho de Thomas Dworzak sobre a região do Cáucaso.

As galerias Magnum in Motion estão sempre aqui - é ir passando.

:: artephotographica.blogspot

10.9.12

Édouard Boubat

Auto-retrato - 1954


Édouard Boubat (1923-1999)

El silencio siempre prevalece...

Édouard Boubat, Montmartre Paris, 1948
Édouard Boubat, Paris 1948


      "El silencio siempre prevalece cuando estás a punto de sacar una fotografía." Édouard Boubat

Bonjour Lisboa !

Carlos Afonso Dias, Miradouro de Sta. Luzia, Lisboa, 1957
Carlos Afonso Dias, Avenida da Liberdade, Lisboa, 1957 


9.9.12


Maria do Alívio fotografada por Agnès Varda, Povoa do Varzim 1953


Sabugal - Francisco Keil do Amaral 1958

Sou uma emoção estrangeira, um erro de sonho ido…



Há uma música do Povo
Nem sei dizer se é um Fado
Que ouvindo-a há um ritmo novo
No ser que tenho guardado…
Ouvindo-a sou quem seria
Se desejar fosse ser…
É uma simples melodia
Das que se aprendem a viver…
Mas é tão consoladora
A vaga e triste canção…
Que a minha alma já não chora
Nem eu tenho coração…
Sou uma emoção estrangeira,
Um erro de sonho ido…
Canto de qualquer maneira
E acabo com um sentido!

Fernando Pessoa
In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005




Amália


Amália, Lisboa, 1950. Thurston Hopkins (col. Culturgest/CGD, Lisboa)

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